Mostrar mensagens com a etiqueta farolas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta farolas. Mostrar todas as mensagens

sábado, 11 de maio de 2019

Sobre o autor - farolas heleno pinhal


Publicar um livro é uma consequência positiva de uma ideia que se materializou ortograficamente. Para este escritor é também um incentivo animador porque valoriza os afectos, a liberdade pessoal, o prazer da autodeterminação e o crescimento pessoal. Factores intrínsecos que, segundo afirma, são essenciais no seu trabalho. Este autor do século XXI possui uma necessidade inata de desenvolver o seu potencial, o que leva a manter um interesse constante em cultivar os seus recursos literários. Interpreta os acontecimentos externos interligando processos mentais com questões existenciais relevantes. Heleno Pinhal não faz nada contra a vontade para não perder a criatividade e sente desdém ao escrever algo que tenha valor só para os outros. É a sua motivação intrínseca, associada à actividade, que o motivam a si mesmo.

Quem levou as cores dos meus sonhos? Versão Portuguesa


E... já adormeci. Passo horas e horas desperta para encontrar o espaço em que começo a sonhar. Alguém me contou que todas as noites é nesse momento que o senhor da fantasia reparte quinze sonhos aos mais pequenos e sete aos mais crescidos porque já perderam muita capacidade de imaginar, mas adormeço sempre antes dele aparecer.
Cores dos sonhos - farolas helenopinhal.blogspot.com

Quero contar-lhe que as cores dos meus sonhos desapareceram. Desapareceu o verde das árvores, o azul do céu e também o amarelo do sol. Só consigo sonhar a preto e branco como os filmes antigos que o meu avô tem guardados no baú.
Os sonhos são bonitos pelas cores! Nos meus sonhos não é apenas o verde, o azul e o amarelo que faz falta, mas também o vermelho, o violeta, o castanho, o rosa e todas as demais cores, que peço desculpa por não recordar, como o laranja da casca da laranja.
Passo as noites à procura das cores e só consigo vê-las quando desperto. Abro os olhos e reparo no quadro colorido que o meu pai pintou e está pendurado por cima da minha cama.
O meu problema não está só nas cores, como se não bastasse os números estão também trocados. O três parece um “E”, o nove um “P” e o sete um “F”. Parece que esqueci de tirar o meu relógio antes de tomar banho ou que a minha calculadora caiu num charco de água. Nunca sei se são números, letras ou sinais de pontuação. Esta é a razão porque não sei as horas ao despertar, mas os meus amigos também não sabem e eles têm todas as cores e os números na posição correcta nos seus sonhos.
Cores dos sonhos - farolas helenopinhal.blogspot.com
Espera! Quem é aquele senhor que está ali sentado numa mesa de madeira a escrever à máquina. Será que não tem computador?
- Boas noites. És o senhor da fantasia?
- Sou!
- Olá, eu sou a Ivana e procuro-te porque as cores dos meus sonhos desapareceram e os números aparecem trocados, mesmo quando não tomo banho. Quero ter as cores ao sonhar e saber as horas ao despertar.
- Eu sei e por isso estou aqui. Vais resolver o teu problema com esta carta sem remetente. Ao despertar vais encontrá-la ao teu lado, depois só tens que a guardar debaixo da tua almofada e voltar a adormecer. As cores voltarão aos teus sonhos e saberás a hora certa de despertar.
Estou a abrir os olhos, parece que estou a despertar e há algo debaixo da porta. É uma carta! Agora só tenho que voltar a adormecer com a carta debaixo da minha almofada.
Um pensamento, outro…outro mais.... e já está!
Vanessa Sanabria
Tradução: Rute da Cruz

O século - farolas heleno pinhal


O século estava velho e resolveu reunir toda a sua descendência.
Ia ser uma grande festa. Convidaria os anos e os meses. Estes por sua vez convidavam as semanas e as horas que andam sempre metidas nos dias. Os minutos e os segundos, sempre cravados no relógio também foram convidados, porque esses afastados descendentes da imensidão dum século são tão importantes que frequentemente se perdem vidas inteiras dentro deles.
A emoção começou a fervilhar, por detrás do século, já velho, mas de olhos a brilhar.

Pensou, voltou a pensar e lá arranjou uma forma estranha de todos juntar.

Década

Uma década é um pacote! Um pacote de dez rolos de papel. Convidou dez anos e assim a década estará presente nas danças e contratempos.
O século - farolas helenopinhal.blogspot.com

Ano

O ano é longo, logo pode ser um rolo de papel inteirinho, ou uma estrada de duas faixas. Não! As estradas não têm fim! Convocou o rolo de papel, enrolado ou não, se falta não tem perdão.

 Meses

Os meses são doze. Não são todos iguais,  mas quando acaba um começa logo outro. E antes, já tinha lá estado outro. Janeiro, fevereiro e março, frios. Abril, maio e junho começa a aquecer. Em julho, agosto e setembro parece que nunca arrefece. Outubro o século faz anos. Novembro e dezembro é sempre a esfriar.
E decidiu. Um porta-lápis com material roído na ponta pela pressa do intervalo. Não interessa a cor, só o tamanho.
O século pôs-se de novo a pensar; já tinha os dez rolos de papel e o porta-lápis convidados, faltavam os dias que não dispensam as horas, os minutos e os segundos.
O século - farolas helenopinhal.blogspot.com
Procurou inspiração para representar os restantes convidados. É que o tempo é algo complicado. Todos os homens, quando são novos, o desprezam de tal forma que fingem que não existe, assim, o século justifica-se num suspiro de sabedoria:
- Eu, o século, vejo poucos homens aguentarem comigo quando passo por eles. Não o faço por mal, mas porque é assim!

Dias e horas

Os dias ficam um livro e as horas podem ser as folhas.

Minutos

O minuto é um berlinde, porque rola com tanta facilidade que nem o vejo.

Segundos

Ficaram a restar os segundos. O século pensou em muitas coisas pequeninas e descobriu o bagulho. Isso mesmo! Uma pequena semente de qualquer vida, depois de a lançar na terra dá sempre qualquer coisa, tal e qual o segundo.
Com tudo convidado o século começou a recapitular: Vejamos: O pacote com dez rolos que é a década e o porta-lápis que são os meses. Depois o livro do dia. E a seguir convidei...convidei... O que é que vem a seguir? Século que sou eu, décadas, anos, meses, dias, minutos e segundos. Já está! Mas eram seis! Dez rolos, doze lápis, um livro, o berlinde - que nunca me esquece - e o bagulho. Um, dois, três, quatro, cinco. Mas eram seis! Um, dois, três, quatro, cinco. Falta um! As folhas! É isso! As horas têm de ir!
O século - farolas helenopinhal.blogspot.com
Eu não fui a essa festa, porque não sou tempo, mas mesmo que fosse não via ninguém. Não via ninguém porque o tempo vê, embora esteja sempre muito bem enlaçado com o presente. Qualquer momento dessa festa é igual a este, ao anterior e ainda ao que virá a seguir.
O certo é que o tempo está todo aqui! Não sei se em festa ou não, mas neste preciso “bagulho” (segundo) que me lês, nem tu nem eu sabemos, quantos “berlindes” (minutos) vão rolar antes deste “livro”(dia) acabar.