domingo, 25 de novembro de 2018

XVI. Zero - Covilhã Viperina


XVI.     Zero

Os números são concretos, mas nem sempre são corretos. A expressão “estar a zero” pode não indicar ausência do atributo a ser estudado. Zero de temperatura é temperatura, mesmo no ártico.

Uma estalactite está pronta a cair para me transformar num penedo escavado, caso aquelas fífias prevaleçam. A minha farpela fica toda suja e como detesto parecer um troglodita ofegante, lavo-me com o que convém. Se eu vos dissesse, ai se eu vos dissesse com que me lavo, como sacudo as minhas larvas sibilantes decerto achariam que não é nada de anormal. Pensavam que tinha algum segredinho escondidinho no meu mindinho? Uma qualquer veia desentupida que vocês não têm? Nada disso!
Por vezes escrevo e fico agarrado, com sono e bastante cansado. Julgo que certas histórias não têm fim ou sou eu que não o vejo em mim. Parece que descasquei batatas frivolamente e reparei que não há óleo para as fritar. Sento-me logo e sem lástima alguma recordo o quanto preciso disto para viver.        
É aí que encerro esta questão e ao fim de dois minutos acabo por adormecer.



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