segunda-feira, 26 de novembro de 2018

XVIII. Brizomancia endereçada - Covilhã Viperina


Sonhos analisados e endossados como alegres novelos enrolados. Reclino-me neste leque estruturante a vinte e seis de Fevereiro a jusante. O meu almofadão embevecido imortaliza neste feixe verídico estas palavras variáveis, lengalengas sonoras em letreiros ignorados por hedonismos desconhecidos. Anoto também outras indulgências altruístas em brancos oásis, oásis de enigmas, de engenhos e de bafios gorados.

A mesa não pára, por baixo do tampo redondo, as quatro pernas lutam num engessar lúgubre. Dentro deste rodopio, ora tu ora eu, duas resolvem humanamente rejeitar com engenho as outras. Jungiram com um ar desonesto, incharam e ostentaram a sua altivez. Sempre no chão a descansar mantêm as outras num trabalhar siderúrgico sem nunca reagirem aparentemente. As mais sagazes grudam-se agora comodamente no oscilamento das estultas.

Rejeito com engenho esta iniquidade quadrangular, fartei-me desta xilografia perturbadora, por não gravar nada no chão de barro seco. Agarro no pacote de açúcar que há pouco desflorei e com os grânulos resistentes socorro esta ofensa à equidade que perturba o meu sossego, a injustiça que paira na preparação desta bica gramatical.
Bebe-se um café, contrai-se uma ideia e sem subterfúgios a tinta escorre formando uma escultura rápida por cima do mogno intrincado. Aqui vai instintivamente: gosto do café com o paladar de uma beterraba doce, gosto dele forte e a um preço moderado. Peço esse fluido preto meio cheio, não falo como um yankee zombeteiro nem visto roupas tipo abeto milionário. Quero mais do que uma secreção deliciosa, nessa mistura fluida quero uma música distendida em voz serena para confessar que sou um freguês um pouco torpe é certo mas sensível ao ponto de não papar besoiros em xícaras danadas pela má vontade.

O pacote de açúcar ascende uma das pernas agora, a bica gramatical não se entorna na mesa serena, as pernas homólogas invejam agora a douta açucarada. Agarro no pacote e passo-o para a antiga colega dançante. Doutorada agora já enfrenta cadeiras superiores, pernas engraxadas e sapatos depilados bem como patronos e polícias com xailes antigos.

Ai, ai, ai este meu espólio jovial onde é que vai acabar com este meu esgazear gradual.



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