sábado, 12 de janeiro de 2019

Peliça de Inverno – Incompleto Organismo de Heleno Pinhal


Quero permanecer inalterável e os astros opõem-se invocando as horas que fico sôfrego pelas horas seguintes. Aperfeiçoo o andar, sarrabisco folhas, orno os braços e cifro os movimentos das gotas de tempo que escorrem pelos corpos abaixo. Amanhã, depois de despertar, quero a vida no reabrir de olhos, quero a fome do acordar, a música da chuva nos telhados rotos e os pingos de água pela cara lavada com o início do outono.
Entrouxado nesta tarde de inverno permaneço de cabeça inclinada sobre este papel que o dia enegrece. Limpo ando, seco sento-me, dobrado escrevo e surdo evito vozes cascalhadas por pústulas floridas.
A respirar devagar com o cérebro presente engendro um método próprio para que os dias passem com mais magnetiso. O sol sobe e a noite vai-se, o sol desce e a noite eleva os seus ramos de luzes artificiais.
Alteradas as condições climatéricas deste outono tardio recebo o sol com mais custo, as constipações periódicas dos vírus nipónicos redobram o calor na fronte, no peito, nas mãos mas não nos pés que começam a arrefecer.
2005, Outubro, 11, Covilhã, 17:37:14 h

Sem comentários:

Publicar um comentário