segunda-feira, 26 de novembro de 2018

XXIV. Pom, pom, pom, pom - Covilhã Viperina


A persistência gerou a vida com ataques obstinados a um óvulo mergulhado. Depois a paciência pouco a pouco com o bater do meu reunido coração plagiou todas as células. Durante alguns meses ainda, uma a uma ao bater de duas vidas.

Pom, pom, pom, pom o da mãe.
Pom, pom, pom, pom o meu.
Pom, pom, pom, pom o da mãe a correr.
Pom, pom, pom, pom o meu à espera.

E era isto, de dia e de noite. A vida colonizava as minhas células naquela bolsa de água quente. E eu ouvia sem cansaço.

Pom, pom, pom, pom o da mãe.
Pom, pom, pom, pom o meu.
Pom, pom, pom, pom o da mãe a correr.
Pom, pom, pom, pom o meu à espera.

E o meu coração lá ia atrás do som de outro sempre atrasado. Foi aí que pensei em me enxugar e à hora certa a rapidez da palmada do artista fez entrar o ar nos meus pulmões. Queimou-me tudo cá dentro e também me queimou todo por dentro.



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