quinta-feira, 27 de setembro de 2018

XIII. Fio cortado - Covilhã Viperina



Tive um sentir, um sentir mudado pelo tempo fugidio. Não queria regressar àquela porta batida com o mesmo querer de outrora, não era bem um querer era mais um desejar de opala

O meu dia já não se pinta da mesma forma. Sem esforço e porque quero deixo de querer tocar no que já fiz. Fiz e refiz tanta vez o mesmo que só quero abandonar esses espólios de outro que fui, continua tudo cá mas ocupa o lugar correcto, sem sequelas de esforço obstinado nem parelhas externas de caridade ou penumbra.

E porque hei-de de voltar a casa, sentar-me na mesma cadeira e rodar sobre o rolamento de sempre? Agora o escarcéu acabou! Acabou a indecisão translúcida de ser duas cabeças em conflito.

O asceta juntou-se ao indómito e lá estão para a segunda vida nesta única que tem três.

Heleno Pinhal

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