quinta-feira, 27 de setembro de 2018

VIII. E mexe, mexe, mexe - Covilhã Viperina

Moinho de sentimentos, de dor e pensamentos. Pensamentos pensados, analisados e torneados que se edificam do nada numa mente por vezes dizimada. E mexe, mexe, mexe.



Invejas os motivos que me fazem escrever e com razão, digo eu, porque não compreendes que do sol nunca aquecer o que não precisa. Olhei a tua roupa de dormir e reparei que não estavas lá dentro, estava fria e só o teu cheiro a ligava a ti. Mas o sol sempre nasce iluminando a vida que cresce. E mexe, mexe, mexe.

Amei-te quando olhei esse amarelo com que dormes e embora julgues que não algo me liga a ti sem eu perceber. É algo que escondes no teu ventre ou por aí perto.

Olho-te e sinto que preciso de ti. Que esse teu corpo é para mim e o teu coração há-de bater forte sempre que ouvir o meu nome.


E mexe, mexe, mexe…

Por vezes parece que tudo acabou, que eu já não preciso dos teus olhos nem tu das minhas mãos. Mas sinto tudo, como se fosse eu, sinto que independentemente de ser agora ou depois, os teus olhos irão clamar pelos meus e todos eles responderão a esse apelo mesmo antes de ser feito.

E mexe, mexe, mexe, mexe nas entranhas do meu ser soltando um momento consciente, apático, ébrio e negligente.

15 de Maio de 2003

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