quinta-feira, 27 de setembro de 2018

V. Se eu fosse mais pequeno - Covilhã Viperina




Acordei limpo pelo meu comportamento sem despesas efémeras dos dias pesados. E tudo parece distante como um ninho no cimo de uma árvore.

Ouço a alegria dos pardais sem penas que se encontram acalentados pelo calor dos irmãos e dá vontade de trepar, trepar por ali acima e ser acolhido como um órfão de bico calado.  

Eu sentado, no meio de mais três pardais de bico aberto a disfarçar a minha humanidade. O que eu quero é receber o calor desse lar ao ar livre.

Ai se eu fosse mais pequeno. Se eu fosse mais pequeno entrava em qualquer ninho com jeito e enroscava-me de bico calado à espera de alimento.




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