quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Participação psicológica – Incompleto Organismo de Heleno Pinhal


De momento, incerto com os próximos dez minutos, escrevo à espera de libertar os ossos que circulam com os pensamentos pelos nervos do corpo. Chamam-me ou não para a sala de jogos mentais onde todos procuram enfiar a cabeça. Se não é aqui é nos psiquiatras que como dealers abotoados encharcam as consciências com narcóticos laboratoriais. Consciência, narcóticos, laboratórios!? Este texto, solto pelo seu pedido de existência, não devia de ser tão insurrecto. Tacitamente, como quem não quer derramar uma chávena cheia, é necessário catalogar as ideias que começam a surgir.
O tempo passa, nem o bater das portas agora me inquieta, o coração bombardeia o sangue alargadamente.
Os psicólogos actuais servem de bom suporte para o desnorte. Tudo incomoda como a falta de fome. Os portugueses, ao perderem-se nos fármacos, desequilibram de tal forma o corpo que este já só funciona a meio depósito, não pensa sem dores de cabeça, não anda sem se queixar e o pior de tudo é que só pensa em descansar; mas de quê, se a vida tem trinta e dois mil dias que devem de ser tratados com o gosto de um carro sempre novo?
2005, Março, 4, Covilhã, 15:39:05 h, Psicóloga

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